O presente artigo pretende apresentar e criticar um dos principais paradoxos da filosofia estoica greco-romana, dizendo respeito às relações entre determinismo e liberdade. Na seara física, os pensadores estoicos concebem um mundo rigidamente determinado pelo destino. Todavia, no campo ético, defendem ser a liberdade de pensamento a única característica que diferencia o homem dos demais seres. Muitos comentadores antigos e modernos entendem que tais construções são contraditórias e, por isso, insustentáveis. Todavia, uma leitura integrada da Física e da Ética do estoicismo nos leva a perceber exatamente o contrário, tal como se demonstra neste trabalho. Na primeira seção, alguns conceitos básicos são apresentados, bem como discutidas as fontes, ainda que de maneira breve. Na segunda seção são abordadas as duas formas de determinismo estoico: teleológico e causal. Na terceira seção apresentamos as teses estoicas que pretendem compatibilizar destino e liberdade. Por fim, na última seção, de caráter conclusivo, é exposta a tese final dos estoicos acerca da liberdade enquanto destino.
MATOS, Andityas Soares de Moura Costa. Destino e liberdade no pensamento estoico greco-romano. Revista Filosófica de Coimbra, Coimbra, v. 22, n. 43, p. 7-42, mar. 2013.