Resumo
O objetivo deste artigo é convidar o leitor a pensar sobre o sistema prisional no mundo contemporâneo. A definição de condutas consideradas inadequadas, passíveis de punição, varia em cada sociedade; ao longo da modernidade, o suplício do corpo dos condenados deixa de ser o objetivo principal das penas e passa a ser um possível efeito moral. Existe, no mundo atual, um crescimento do número de prisões em muitos países e em alguns, como nos EUA, o aparato tecnológico e os profissionais envolvidos no sistema carcerário demandam milhões de dólares. Um olhar mais apurado revela que as prisões, sendo instituições totais, não oferecem oportunidade para reinserção social e, apesar de tal limitação, são instituições que servem para oferecer à sociedade a ilusão de segurança. As pessoas destituídas de meios dignos de sobrevivência no mundo globalizado, muitas delas habitantes de guetos, são parte significativa da população carcerária e são alvos de injusto e falso preconceito por parte de outros segmentos da sociedade, como se a criminalidade fosse uma questão relacionada exclusivamente com a pobreza. O Estado, antes responsável direto por uma assistência social ampla, concentra parte significativa de seu orçamento em questões que envolvem segurança pública para reafirmar seu poder e influência.