Resumo
Este trabalho parte de uma abordagem transdisciplinar acerca do cárcere, que nos leva a confrontar o sistema punitivo. A casa de correção da corte foi o primeiro modelo de pena no isolamento, instituída no Brasil, de 1833 a 1850. Essa casa inaugurou o sistema penitenciário brasileiro com o uso da fotografia como técnica de vigilância. Esse estabelecimento penal obrigou o indivíduo a se autoregular pelo trabalho, disciplina imposta na ótica capitalista, propiciadora de uma interação entre dimensões espaciais e temporais. Mais adiante, comparativamente, é tomado o regime disciplinar diferenciado, inaugurado de 2001 a 2006, que se constitui na última novidade e sofisticação do isolamento carcerário. Trata-se da prisão dentro da prisão. O regime disciplinar diferenciado substitui a fotografia pela filmadora. Em tempos de desemprego, a violenta auto-regulação da imposição do trabalho ao indivíduo não interessa mais. O que vale é nada fazer. Assim, o isolamento retira o trabalho, transforma a ótica espacial e temporal, aniquila a subjetividade do apenado.