HOMENAGENS
Francisco José Lins do Rego Santos (1958-2002)
Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais

Francisco José Lins do Rego Santos nasceu em 1958, na cidade do Rio de Janeiro. Era filho de Ilídio Francisco dos Santos e Maria da Glória Lins do Rego Santos, e irmão de Elizabeth. Viveu a infância nas cidades de Guiará e Curitiba, no estado do Paraná. Casou-se com Juliana Ferreira Lins do Rego, com quem teve dois filhos. Graduou-se bacharel em Direito pela Faculdade de Direito Cândido Mendes (RJ), em 1984. Dois anos depois, ingressou no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), seguindo os passos de seu avô materno, que também atuou como promotor de Justiça no parquet mineiro.
Poeta, herdou o talento literário do avô, o romancista nordestino e membro ilustre do MPMG José Lins do Rego Cavalcanti. No livro Inventário da Noite, publicou poemas escritos na adolescência. A obra, de tom intimista e confessional, foi lançada em 1999 pela editora José Olympio, a mesma que publicou as obras de seu avô nas décadas de 1930 e 1940.
Ingressou no Ministério Público de Minas Gerais por meio do 20º Concurso Público para Promotor de Justiça, tendo sido nomeado em 12 de novembro de 1986. Atuou nas comarcas de Jaboticatubas (1986–1988), Cambuquira (1988–1989), Santos Dumont (1989), Contagem (1989), Conselheiro Lafaiete (1989–1990), Juiz de Fora (1990–1996) e Belo Horizonte (1996–2002).
Na capital, atuou na 11ª Promotoria de Justiça Criminal entre 1996 e 2000, quando foi designado para a Promotoria de Defesa do Cidadão. Nessa unidade, exerceu por cerca de um ano atribuições na Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, na área de produtos e serviços.
O promotor de Justiça Francisco José Lins do Rego Santos, juntamente com os demais membros da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, era responsável por diversos procedimentos administrativos e inquéritos em andamento no Ministério Público, envolvendo investigações e denúncias relacionadas à fabricação e venda de combustíveis adulterados, propaganda enganosa de juros zero por revendedoras de automóveis, falsificação de medicamentos, cortes indevidos no fornecimento de energia elétrica e cobrança de sobretaxas e de taxa de iluminação pública pelas concessionárias.
Francisco José Lins do Rego Santos faleceu em 25 de janeiro de 2002, vítima de um atentado planejado por Luciano Farah, empresário da Rede West de postos de combustíveis, investigado pelo promotor por venda de combustível adulterado. Farah conduzia a motocicleta que emparelhou com o veículo do promotor de Justiça, enquanto, na garupa, o ex-soldado Edson de Souza Nogueira efetuou sete disparos que resultaram na morte do membro do Ministério Público mineiro. Além de Farah e Edson, foi preso Geraldo Roberto Parreiras, office-boy do empresário, responsável por levantar informações sobre a rotina do promotor.
Em fevereiro de 2002, após o assassinato do promotor de Justiça Francisco José Lins do Rego Santos, foi criado o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), composto por 29 Ministérios Públicos. Também foram instituídos, em Belo Horizonte, a Promotoria de Justiça de Combate ao Crime Organizado, o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Combate ao Crime Organizado (Caocrimo) e o Centro de Segurança e Inteligência Institucional do Ministério Público de Minas Gerais (Cesim).
A luta do promotor de Justiça Francisco José Lins do Rego Santos contra a chamada Máfia dos Combustíveis e sua morte brutal tornaram-se um marco no enfrentamento entre a Justiça e o crime organizado. A partir desse episódio, o Ministério Público de Minas Gerais intensificou e reformulou suas estratégias de fiscalização. O Procon Estadual passou a descentralizar suas atividades, permitindo que cada Promotoria de Justiça do Consumidor, nas diversas comarcas do Estado, exercesse de forma mais efetiva o papel fiscalizador.
Em homenagem póstuma, a Medalha de Mérito do Ministério Público de Minas Gerais passou, por meio da Resolução nº 74, de 2002, a denominar-se “Medalha do Mérito do Ministério Público Promotor de Justiça Francisco José Lins do Rego Santos”. Em novembro do mesmo ano, a Câmara Municipal de Belo Horizonte inaugurou um edifício que leva seu nome.
A esquina da Rua Joaquim Murtinho com a Avenida Prudente de Morais, no bairro Santo Antônio, também recebeu sua denominação. O mesmo ocorreu com o Parque Ecológico da Pampulha, inaugurado em 2004 como parte do Programa de Recuperação Ambiental da Bacia da Pampulha (Propam), voltado à educação ambiental, à preservação da fauna e da flora, ao lazer e ao entretenimento. Em 2006, foi inaugurado um monumento em sua homenagem no pilotis do edifício Castellar Modesto Guimarães.
Em 2022, completaram-se 20 anos da morte do promotor de Justiça Francisco José Lins do Rego Santos. Mesmo com o passar do tempo, sua trajetória no Ministério Público e sua dedicação ao combate ao crime organizado permanecem vivas na memória institucional.
Lúcia Maria dos Santos Pacífico Homem (1935-2025)
Fundadora e presidente do Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais (MDC-MG)
Ex-vereadora de Belo Horizonte (MG)
Ex-deputada estadual de Minas Gerais

Lúcia Maria dos Santos Pacífico Homem nasceu em 28 de fevereiro de 1935, no município de São Gotardo, no Alto Paranaíba, e construiu uma trajetória marcada pelo compromisso permanente com a cidadania, a justiça social e a defesa dos direitos do consumidor. Professora aposentada, sua atuação extrapolou a sala de aula e ganhou relevância estadual e nacional, tornando-se referência histórica na proteção dos consumidores em Minas Gerais e no Brasil.
Foi fundadora e presidente do Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais (MDC-MG), entre 1983 e 2001, organização que desempenhou papel decisivo na conscientização da sociedade e na mobilização popular em defesa de relações de consumo mais justas. À frente do Movimento, criou núcleos em 22 municípios mineiros e chegou a presidir a Confederação Nacional das Donas de Casa e Consumidores, ampliando o alcance de sua atuação para além das fronteiras do Estado.
Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais (MDC-MG)
Sua contribuição foi fundamental no processo de redemocratização do país, especialmente durante a Assembleia Nacional Constituinte, quando sustentou emendas populares em defesa da inclusão, na Constituição Federal de 1988, da proteção e defesa dos direitos do consumidor. Participou, ainda, da elaboração do primeiro projeto de lei que deu origem ao Código de Defesa do Consumidor, marco jurídico essencial para a tutela dos consumidores brasileiros. Ao longo de sua trajetória, integrou e foi reconduzida ao Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, além de participar de conselhos e comissões estratégicas em áreas como energia, telecomunicações, metrologia, saúde e ética em pesquisa.
No campo da saúde pública, destacou-se como técnica em Odontologia Social e Preventiva pela Escola de Saúde Pública de Minas Gerais, coordenando o Plano Incremental de Tratamento Dentário em escolas da rede pública estadual e promovendo ações de capacitação de professoras no tema da prevenção de cáries e da saúde oral.

Na vida política, exerceu dois mandatos como vereadora em Belo Horizonte, período em que elaborou 28 leis municipais ainda em vigor, presidiu e integrou a Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor, foi vice-presidente da Câmara Municipal e consolidou sua atuação legislativa voltada à proteção social. Posteriormente, exerceu seu primeiro mandato como deputada estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais durante a 15ª Legislatura (2003–2007), eleita pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), mantendo a defesa do consumidor como eixo central de sua atuação parlamentar.
Ao longo de sua vida pública, recebeu diversas condecorações, entre elas a Medalha da Inconfidência, a Medalha do Mérito Legislativo, honrarias da Câmara Municipal de Belo Horizonte e títulos de reconhecimento concedidos por entidades civis e municípios mineiros.
Falecida aos 90 anos, em 18 de dezembro de 2025, Lúcia Maria dos Santos Pacífico Homem deixa um legado indelével na história da defesa do consumidor e dos direitos humanos em Minas Gerais. A exposição temporária em sua homenagem, no âmbito do Procon do