VOTO FEMININO
A conquista do voto feminino no Brasil foi resultado de décadas de mobilização de mulheres que reivindicavam o reconhecimento de seus direitos políticos e sua participação na vida pública. Em Minas Gerais, destacaram-se pioneiras como Elvira Komel e Mietta Santiago, cujas trajetórias contribuíram para a ampliação da cidadania feminina e para a inserção das mulheres nos debates políticos do país. A conquista do sufrágio representou um marco nesse processo, abrindo caminho para uma participação mais efetiva das mulheres na política. Um dos símbolos dessa nova etapa foi Carlota Pereira de Queiróz, eleita nas eleições de 1933, as primeiras realizadas sob a organização da Justiça Eleitoral.

Advogada e primeira mulher a atuar em um fórum mineiro, Elvira Komel (1906-1932) liderou importantes iniciativas em defesa do sufrágio feminino. Além de buscar judicialmente o reconhecimento do direito das mulheres ao voto, organizou o Batalhão Feminino João Pessoa, movimento que mobilizou milhares de mulheres mineiras em favor da inclusão do voto feminino no Código Eleitoral. Sua atuação ajudou a fortalecer a participação das mulheres nos debates políticos que antecederam a conquista do sufrágio em 1932.

Outra figura de destaque foi Mietta Santiago (1903-1995), advogada, poetisa e fundadora da Liga das Eleitoras Mineiras. Ao obter decisão judicial favorável ao seu direito de votar e ser votada, tornou-se um dos principais símbolos da luta pela igualdade política entre homens e mulheres. Sua atuação inspirou contemporâneos e foi celebrada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade no poema “Mulher Eleitora”.
Série “Feministas, graças a Deus!” XIII – E as mulheres conquistam o direito do voto no Brasil!
Tempo e História apresenta a trajetória da pioneira Mietta Santiago

A conquista do sufrágio abriu caminho para uma participação mais efetiva das mulheres na política. Nas eleições de 1933, as primeiras realizadas sob a organização da Justiça Eleitoral, foi eleita Carlota Pereira de Queiróz (1892-1982), médica paulista que se tornou a primeira deputada federal do Brasil e integrou a Assembleia Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1934.
A luta pelo voto feminino, entretanto, enfrentou forte resistência. Durante as primeiras décadas do século XX, jornais e revistas frequentemente retratavam a participação política das mulheres como uma ameaça à ordem social e familiar, reproduzindo preconceitos que buscavam restringir sua atuação ao ambiente doméstico. Apesar dessas barreiras, a mobilização de mulheres em todo o país foi fundamental para a conquista do sufrágio e para a ampliação dos direitos políticos no Brasil.
A trajetória dessas pioneiras demonstra que a inclusão das mulheres na vida política foi resultado de organização, persistência e engajamento coletivo, deixando um legado duradouro para a democracia brasileira.